
Qualidade, desemprego, investigação, (re)
definição de competências são termos que pontuam com grande acuidade no léxico actual dos discursos em Enfermagem. Com efeito, a Enfermagem confronta-se com desafios de monta e com problemas inéditos que têm despoletado apaixonadas e vigorosas discussões em vários círculos de debate da classe. Apesar de serem temas de indelével importância, é necessário aspergir por outros campos o amplexo das nossas cogitações.
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É com o intuito de efectuar esse exercício que resolvi talhar algumas linhas que procuram apontar alguns caminhos que poderão ser seguidos na promoção da actividade da Enfermag
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Tell No One psp em. E a cerne da questão reside exactamente na promoção da Enfermagem e sua actividade junto da população, apresentando a sua produção como um bem de saúde necessário às demandas da vida moderna.Até agora os cuidados de Enfermagem são vistos pela sociedade como um acessório agregado aos cuidados médicos. O encontro com o Enfermeiro é consequência de um acto de primeira intenção, que é a procura de cuidados médicos. A Medicina justifica perante o senso do nosso público-alvo a existência da Enfermagem. O encontro do utente/cliente com a Enfermagem tem seguido na bitola do casual, acidental.
Na verdade em muitas situações o encontro com o utente advém do circuito por este encetado em direcção da procura de cuidados médicos, sendo que a intervenção de Enfermagem é vista ora como etapa intermédia neste processo ora como elemento acessório do processo terapêutico onde os cuidados médicos parecem assumir o papel mais evidente. Prova disto são as campanhas publicitárias, nomeadamente de seguros de saúde e hospitais privados que equalizam a qualidade dos cuidados de saúde que vendem, á qualidade dos médicos que constituem a oferta do seu “quadro de pessoal” reduzindo a qualidade em cuidados de saúde a um determinante monovalente.
A Enfermagem é tradicionalmente abordada pelos seus representantes como um serviço ainda demasiadamente alicerçado no espírito altruísta e voluntarioso
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Esse espírito, outrora grande motor do desenvolvimento da profissão pela sua mobilização de vontades em torno de uma causa comum tem necessariamente de ser substituído por um espírito diferente, onde a noção de competitividade tem de sobressair e onde os pilares fundamentais são o produto, o preço, a promoção e a distribuição, alvitrados em 1960 por Borden, que se embrenhou no estudo das questões do marketing.
Os cuidados de Enfermagem necessitam de ser apresentados como um produto atractivo, competitivo e necessário, centrados no seu consumidor. A lógica do marketing e do desenvolvimento comercial de um produto necessita de ser transplantado para a estratégia de promoção da profissão. Só assim poderemos garantir a perfeita adequação daquilo que oferecemos às necessidades e aspirações sentidas pela população. São estas necessidades que devem conduzir as prioridades da investigação em enfermagem, com o escopo do desenvolvimento de produtos de saúde que respondam positivamente a estas mesmas aspirações.
Atentemos em exemplos paradigmáticos: A campanha das farmácias, propalando novos serviços com direito a cartão de pontos entre outras novidades, os seguros de saúde que de uma forma clara transformaram os cuidados de saúde num produto que se pode transaccionar e negociar, o próprio surto do desporto “indoor” protagonizado pelos ginásios que transformaram uma actividade outrora elitista num bem de quase primeira necessidade, prescritível e dedutível nos impostos.
Na verdade estas campanhas apenas deram uma nova roupagem
a algo que já existia há muito tempo. A mediatização destas actividades deu uma grande ajuda, na medida em que divulga as especificações destes produtos. Na verdade, criou-se uma embalagem atractiva para um produto já criado há muito mas que passava despercebido. As Pessoas passaram a incluir estes serviços na sua lista básica de consumo, sendo que nestes casos se trata de consumíveis de saúde.
O que escasseia em Enfermagem é esta abordagem de “marketização” dos cuidados de enfermagem, de lhe conferir uma aparência inovadora, actual, necessário ao estilo de vida moderno onde os L. Casei Imunitass, os ómega 3 e a “alimentação-medicamento” se tornaram num elemento indispensável ás demandas da vida moderna, uma quase necessidade de sobrevivência.
Sou da opinião que a Enfermagem tem campos de actuação ainda pouco explorados, muitas vezes depreciados pelos próprios Enfermeiros levando a que outros os desenvolvam e capitalizem em seu proveito o seu potencial de aplicação. Veja-se o caso do pé diabético, que representa já um volume apreciável da actividade dos podologistas ou a alimentação do diabético ou hipertenso, um dos focos mais ingentes na actividade dos nutricionistas. Muitos outros exemplos se poderiam dar como é o caso das Doulas, ou dos fisioterapeutas que descobriram o manancial da preparação para o parto. O campo do tratamento de feridas, onde os Enfermeiros atingiram um alto grau de proficiência ainda se encontra sub-aproveitado no âmbito da demonstração da qualidade inigualável deste produto; com isto corremos o risco de outros “negociarem” a transacção deste produto com a população alvo de uma forma mais eficaz.
A vocação de orientação da Pessoa para hábitos de vida saudáveis ou na adaptação a processos de vida ou doença, por exemplo, não é aproveitada de forma consentânea com o seu potencial de divulgação ou difusão. Até agora os Enfermeiros não souberam demonstrar a mais-valia para as Pessoas que aderirem a esta modalidade de cuidados, nem a sua qualidade. Os Enfermeiros não têm ainda desenvolvida a capacidade de criarem uma imagem atractiva através da qual possam apresentar o seu “produto” à sociedade, não obstante a inegável qualidade do seu conteúdo.
Para isso os enfermeiros necessitam de se aglutinar em corporações ou pequenas empresas produtoras de produtos de saúde, costumizáveis, necessários e desejáveis. A multiplicação de pequenos pólos de prestação de cuidados de Enfermagem de cariz liberal melhora amplamente a distribuição do nosso produto, mormente no actual cenário de transferência das responsabilidades do SNS para o sector privado.
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Nos EUA assiste-se já a uma grande estruturação da oferta de produtos da Enfermagem, corporizada na forma de Empresas de serviços de Enfermagem, com uma imagem própria e um grande portfólio de modalidades de prestação desses mesmos serviços A substituição de termos provectos que designam alguns tipos de cuidados por um novo glossário mais actual pode ser também o esteio para a divulgação do que fazemos. Por exemplo, o enfermeiro pode-se assumir como um “health advisor” ou “health personal trainer”, a educação para a saúde importar as premissas de “coaching” em voga no campo da gestão sendo convertida em “health coaching”, sendo que estes conceitos devem ser publicitados, porque não, com as devidas adaptações, através dos meios normais de publicitação de um produto. Esse encargo estaria sob a alçada de associações de promoção da Enfermagem e das próprias entidades produtoras de vários tipos de cuidados de Enfermagem.
É mandatório criar no utente a necessidade consciente de cuidados de Enfermagem, levando-o a procurar ou adquirir de forma intencional o seu produto que reconhece como de qualidade e necessário.
Mesmo ao nível da Enfermagem institucional, a costumização do papel do Enfermeiro às demandas particulares da mesma é capital; para isso é necessário fugir das interpretações puristas da natureza da Enfermagem, seguindo por um caminho ao nível da definição daquilo que são as competências do Enfermeiro que se compagine com aquilo que são as necessidades do mercado onde queremos penetrar. Não quer isto dizer que se defende um processo de descaracterização da profissão mas sim um alargamento centrípeto dos contextos de intervenção da Enfermagem em torno do núcleo nativo de definições fundamentais caracterizadores da profissão.
Concluindo, a Enfermagem tem de responder com vigor ao desafio que se coloca em termos de promoção dos cuidados que produz. Em parte esse esforço passa por adoptar as premissas ensinadas pelos princípios do marketing no intuito de criar uma imagem actual para o serviço que presta. Não quer isto dizer que se deve transformar o que fazemos num negócio, mas sim dar uma nova visibilidade do que fazemos á sociedade. Muitos produtos de várias naturezas devem a sua expansão comercial com a criação de estratégias promocionais cuidadas e direccionadas; Veja-se o caso dos sabonetes portugueses, da Ach Brito já centenários mas que devido a uma revitalização operada por uma campanha promocional bem direccionada são já internacionalmente considerados produtos de prestígio e de qualidade, que todos querem ter.
Vivemos numa sociedade onde imperaram os “sound bites” e as “imagens de marca”, onde quase tudo é passível de consumo e transacção, onde as escolhas são determinadas pelo contributo anunciado de cada produto para a prossecução de um plano de vida global que é influenciado por padrões de necessidades pré-determinadas pelos modelos sociais.
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Por isso é necessários que passemos de uma “Enfermagem produto genérico” para uma “Enfermagem produto de marca”.