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Jan 17

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Tomada de Posição da Ordem dos Enfermeiros. Não há desculpas para não fazerem Greve

Perante a vinda a público de informações sobre as negociações da Carreira de Enfermagem entre os sindicatos dos enfermeiros e o Ministério da Saúde, HOUVE OFICIALMENTE uma “Tomada de Posição da Ordem dos Enfermeiros sobre esta matéria. Nesse documento, a OE lamenta o teor das propostas apresentadas pelos Ministério da Saúde e Ministério das Finanças e da Administração Pública e apela ao Governo que tome as medidas necessárias para que as negociações cheguem a «bom porto».”

Leiam de seguida o que a OE escreveu …

Ordem enfermeiros Carreira

   A Ordem dos Enfermeiros (OE) tem acompanhado, com grande apreensão, tanto na comunicação social como na informação emitida por todos os sindicatos de enfermeiros, o ponto de situação relativo às negociações da Carreira de Enfermagem com o Ministério da Saúde.

Não temos dúvidas que as negociações em curso se integram na esfera da estrita responsabilidade dos sindicatos. Contudo, a gravidade do que tem vindo a público, com o consequente descontentamento generalizado dos enfermeiros – por ser atentatório da dignidade da sua profissão – causará impactos negativos na qualidade dos cuidados de Enfermagem, em particular, e de Saúde, no geral, que deverão ser evitados. 

 Face ao que fica dito, a OE entende pronunciar-se clara e inequivocamente, considerando:

1 – Ser inaceitável que o Ministério da Saúde e o Ministério das Finanças e da Administração Pública apresentem uma proposta em que existe um total desrespeito pelas condições dignas do exercício profissional dos enfermeiros que, nos serviços públicos de saúde, asseguram os cuidados de Enfermagem;
2 – Ser inaceitável que, pela aplicação cega de regras gerais, os actuais enfermeiros com responsabilidades na gestão dos serviços tenham um tratamento salarial que os distancia daqueles que virão a assumir funções semelhantes no novo modelo de carreira;
3 – Ser inaceitável que a proposta apresentada não só mantenha a discriminação dos enfermeiros face aos restantes licenciados da Administração Pública, como degrade, ainda mais, o actual valor do nível salarial de ingresso na carreira;
4 – Ser inaceitável que, num momento decisivo da reforma substancial do SNS em várias áreas, não se previnam conflitos laborais com os enfermeiros – maior grupo profissional da Saúde – que potencialmente podem conduzir a níveis de insatisfação e desmotivação nada favorecedoras à mudança preconizada, onde a participação de todos é fundamental ao sucesso da mesma.

Por tudo isto o Conselho Directivo da Ordem dos Enfermeiros:

  • Partilha o sentimento de profundo descontentamento manifestado pelas organizações sindicais e reconhece as razões que conduzem a formas de manifestação que, inevitavelmente, se repercutirão sobre os utentes dos serviços de saúde;
  •  Lamenta profundamente os prejuízos e o desconforto que as medidas anunciadas pelos sindicatos são susceptíveis de causar aos cidadãos e espera que os eles compreendam que as mesmas são também defensoras dos seus direitos;
  •  Lastima a ausência de compreensão por parte dos decisores políticos, após tão longo processo negocial, de que há valores intrínsecos à história desta profissão dos quais os enfermeiros jamais abdicarão;
  • Espera que a Sr.ª Ministra da Saúde e o Governo compreendam a gravidade da situação e tomem as medidas necessárias que garantam o desenvolvimento do processo negocial em moldes que respeitem a dignidade e o reconhecimento do valor inquestionável que o exercício profissional dos enfermeiros merece.

Desta posição será dado conhecimento à Sr.ª Ministra da Saúde e será enviado ofício ao Sr. Primeiro-Ministro dando conta das implicações para a saúde dos cidadãos que decorrem da situação criada e da qual não pode ilibar a sua responsabilidade.”

Fonte :Ordem dos Enfermeiros

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Vera Carvalho

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11 comments

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  1. Luis Monteiro

    A desculpa podem ser os famosos contratos individuais que se assinam por esse país fora. Em alguns casos estes 3 dias de greve podem representar menos 400€ no vencimento e uma avaliação menos positiva, logo não renovação de contrato. Sei que não devia ser assim, mas é necessário dizer isto, pois é a realidade de muitos dos nossos colegas.

  2. Vera Carvalho

    A verdade pode ser essa, mas ao NAO FAZEREM GREVE estão a perpetuar o seu estado de instabilidade!

    Mais estão a dizer ai Governo que devem ganhar menos, tal como estes propõem ! Isso não aceito , nem nenhum Enfermeiro deve aceitar ser menos que outro Licenciado em Portugal.

  3. Nuno Costa

    Penso que a ordem deveria ter enviado um comunicado à comunicação social.Devemos projectar nos media as nossas razões de forma a podermos ser referenciados por eles nas notícias o máximo de vezes possíveis.Da divulgação advirá força e compreensão da sociedade para a nossa causa.cps

  4. Isabel

    Liquei feliz com este comunicado, afinal parece que não estamos sozinhos. Tambem concordo que este comunicado deveria ser divulgado nos media, deveriamos fazer mais “barulho”. Vamos lutar, temos que estar unidos e não pensar que com a greve vamos perder ***euros, e os euros que nos “roubam “todos os meses, por não sermos devidamente remunerados? Isso sim é um grande prejuízo!!!!!

  5. Anabela Marçal Nunes Sampaio

    Defendo o mais possível que a Tomada de Posição da ordem tem de ser publicada nos meios de comunicação social. Já todos tomámos conhecimento da situação tremenda do Haiti mas agora chega de ocupar todo o tempo de antena com estas notícias e aproveitar para mascarar outros problemas sociais que também continuam a existir!

  6. Maria Lopes Romão

    Penso que os colegas tem razão ao dizer que a OE deveria publcitar a sua tomada de posição, com a qual concordo, mas que é pouco visivel….., veja-se a atitude de diferentes ordens perante problemas relacionados com os seus membros…., ás x nem é preciso implicar muitos, basta sentir a ameaça á profissão.
    A OE, parece, ou parece-me que fica geralmente na sombra…
    de facto há que dar a cara. Ou bem que é pela profissão pela qual se responsabiliza ou não.

  7. Anabela Marçal Nunes Sampaio

    Eu sou enfermeira há cer de 14 anos. Sou Especialista e Mestre. EU VOU FAZER GREVE! Preocupa-me os colegas que pensam não fazer! que outras formas de luta? Se não me forem atribuidos os mínimos no meu serviço vou a Lisboa maniestar-me. Quem cala, consente! Quem cala é porque acha que está muito bem assim! Vamos continuar com o duplo emprego que interessa o mais possível aos hospitais privados? Hospitais que conseguem assim a mão de obra -barata – que pretendem ?Vamos continuar a encher os bolsos de Alguns e nós a sermos cada vez mais miséria e desconsideração? Vamos continuar a trabalhar em dois lados para ganhar o que os outros ganham com um? Não querem ter uma vida digna? Acham que não vale a pena?

  8. Anabela Marçal Nunes Sampaio

    Eu sou enfermeira há cerca de 14 anos. Sou Especialista e Mestre. EU VOU FAZER GREVE! Preocupa-me os colegas que pensam não aderir! Que outras formas de luta? Se não me forem atribuidos os mínimos no meu serviço irei a Lisboa manifestar-me. Quem cala, consente! Quem cala é porque acha que está muito bem assim! Vamos continuar com o duplo emprego que interessa o mais possível aos hospitais privados? Hospitais que conseguem assim a mão de obra -barata – que pretendem ?Vamos continuar a encher os bolsos de Alguns? Vamos ser cada vez mais miséria e desconsideração? Vamos continuar a trabalhar em dois lados para ganhar o que os outros ganham com um? Não querem ter uma vida digna? Acham que não vale a pena?

  9. Anabela Marçal Nunes Sampaio

    Há política por detrás de todas estas decisões de valorizarem a enfemagem lutando o governo por não fazer os pagamentos em conformidade com a nossa formação. Muitos hospitais privados a fazer grandes lucros com os enfermeiros se o governo continuar a permitir que não sejamos pagos como os outros licenciados. São necessários muitos enfermeiros para fazer o trabalho da privada. A crise não é para todos! Só para alguns! O nosso mal enriquece os bolsos de alguns!

  10. Elsa Fernandes

    Após 17 anos de carreira, pela 1ª vez sinto-me uma funcionária de segunda, chega de compreensão pelo estado social/económico do país, o facto é que cada vez mais a nossa carreira é desrespeitada e desvalorizada pelo nosso poder político, cansei-me!
    Esta greve para mim é e deveria ser considerada por todos nós um marco , temos de ser unidos e agir. Já nos tiraram quase tudo mas a nossa dignidade como enfermeiros não!

  11. João Francisco

    Finalmente a Ordem dos Enfermeiros tomou uma posição, se continuarem assim para a proxima prometo que voto na bastonária

  1. Os Enfermeiros não façam de Conta. Sem desculpas Façam greve! | COGITARE EM SAÚDE

    [...] Pela primeira vez temos Ordem e Sindicatos a falarem a mesma língua, sem desunião. A mesma Ordem dos Enfermeiros que muitas vezes é acusada de nada dizer emitiu uma tomada de posição defendendo os motivos da greve ( se ainda não leu clique aqui ) [...]

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