O debate sobre este asunto foi iniciado pela bastonária da Ordem dos Enfermeiros (OE), Maria Augusta Sousa, que denunciou a falta de enfermeiros na área dos cuidados de saúde primários que “compromete a resposta a que os cidadãos têm direito”. “Há uma efectiva carência de enfermeiros. A situação é grave e complexa e isso ninguém contesta, desde a ministra da Saúde aos outros agentes políticos”, declarou ao PÚBLICO a bastonária da OE.
A Enfermeira Maria Augusta Sousa criticou ainda o facto de haver uma “incorrecta gestão dos recursos humanos na área da saúde, e reporta-se à anulação dos concursos, lançados pelas administrações regionais de Saúde do Norte, Centro e Lisboa e vale do Tejo, para o preenchimento de 958 vagas de enfermagem, facto que o COGITARE EM SAÙDE AQUI ABORDOU VER LINK . Segundo o pretexto de ter havido “um erro na distribuição das vagas”, as três administrações regionais de Saúde anularam os concursos, todas pelo mesmo motivo. O número total de vagas abertas era de 1569, cabendo a maior fatia à enfermagem.
A bastonária lamenta, por outro lado, o “quadro de instabilidade” que se vive(…) e pede ao Governo para criar “legislação própria para a saúde”.
Opinião diferente tem a enfermeira Ana Rita Cavaco ( ver imagem em baixo), candidata a bastonária da ordem. “Os concursos que agora foram anulados iam servir para os colegas que estão contratados a prazo há três anos e meio poderem regularizar a sua situação e a partir do dia 31 de Julho deste ano terminam os contratos, não podendo haver nova renovação à luz do actual enquadramento legal”, afirma, avisando que o que vai acontecer é que a situação se vai tornar ainda mais insustentável a partir dessa altura.

Ana Rita Cavaco tem muitas reservas quanto à justificação de que houve um erro na distribuição das vagas, avançada pelas administrações regionais de Saúde, porque, se assim fosse, diz, “já estavam publicados novos avisos para os concursos”. E está convencida que a razão de fundo é de natureza financeira. E perante o “caos” que se avizinha a partir do Verão, a enfermeira teme que o Ministério da Saúde acaba por recorrer, “como já o tem feito, a empresas que fazem o recrutamento de enfermeiros e trabalho temporário, empresas essas em relação às quais ninguém sabe a quem pertencem, nem ninguém sabe quanto é que o Estado lhes paga”. E vai dizendo que “seguramente sairia mais barato aos cofres do Estado abrir novos concursos do que optar por estas empresas”.
Uma outra questão prende-se com o facto de em determinados centros de saúde existirem mais médicos a trabalhar do que enfermeiros. “Isto é uma aberração!”, disse.
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16 comments
Parreira says:
March 3, 2010 at 00:48 (UTC 1 )
Toda a gente sabe que há falta de enfermeiros nas instituições de saúde, só é pena que a Sra. Bastonária tenha reconhecido o problema ao contrário e tarde demais, isto é, que para colmatar a falta de enfermeiros tivesse indicado para as escolas formarem mais enfermeiros em vez de empregar os que estavam no desemprego. Se tivesse feito o contrário, actualmente a classe de enfermagem não estaria a passar por uma grave crise de empregabilidade, com colegas a emigrar e outros a aceitar as migalhas (dinheiro) que as instituiçoes portuguesas lhes dão para poderem fazer face a despesas que todos nós quer individualmente quer familiarmente necessitamos
Parreira says:
March 3, 2010 at 00:55 (UTC 1 )
É preciso exigir e obrigar o governo a dotar as instituições de saúde com enfermeiros, atendendo às tantas faladas “dotações seguras” fundamentadas em orientações internacionais, já que este governo gosta de apontar e comparar-se a exemplos do exterior.
Caracol says:
March 3, 2010 at 01:05 (UTC 1 )
A Ana Rita já começou a sua campanha, usando os seus conhecimentos na área da comunicação social, ou não vivesse ela com um jornalista (basta fazer uns telefonemas aos amigos). Aparece em oposição de opinião à Bastonária, mas afinal aponta como solução a continuidade dos concursos, o que já está demonstrado que não resolve o problema. Quer começar a demonstrar que está em discordância, para cativar alguns incautos que possam estar menos informados, mas devia também ladear-se já de assessores, para que não emitir opinião imbecil.
Ana Rita Cavaco says:
March 3, 2010 at 13:42 (UTC 1 )
Queria apenas fazer aqui um esclarecimento, que aliás está na notícia mas não foi devidamente citado, sobre as afirmações aqui mencionadas.
A frase de que é uma aberração existirem mais médicos que Enfermeiros não é minha é da Sra. Bastonária da OE.
Entendo que valemos pelo que somos e temos de resolver as nossas questões sem recurso a comparações.
Em Dezembro, quando foram lançados os concursos, não era ainda conhecido o déficit verdadeiro que o País enfrentava, não havia OE apresentado, muito menos discutido. Note-se que já se fala em OE rectificativo e ainda não foi aprovado. Começa agora a falar-se do aumento do IVA para 21%. Tudo isto era impensável em Dezembro.
A abertura destes concursos carece de autorização do Ministério das Finanças (MF), o Ministério da Saúde (MS) não pode decidir sozinho, e o que acontece é que o MF não autorizou porque, como é evidente, vai aumentar a despesa pública.
Desta informação tenho a certeza absoluta, o MF não autorizou!
Claro que a desculpa do erro é mais que esfarrapada porque, apesar do concurso ser externo, ao avaliar os cv’s iriam ser preferidos os Enfermeiros que já ocupavam lugares nos CSP (leiam bem os critérios do avisos) porque estes concursos destinavam-se, de facto, a regularizar a situação destes colegas, muitos deles a contratos há mais de 3 anos.
A chatice toda é o aumento da despesa pública, e só! E o facto de, pelo menos em Lisboa, terem esbarrado na impossibilidade de contratar tarefeiros às empresas de RH que agoram pululam e que pagam 6 euros/hora aos Enfermeiros. Agora, porque alguns Cs’s ainda conseguiram fazer estas magníficas contratações.
Porque era assim que o MS queria resolver o problema dos CSP, não tenham dúvidas quanto a isso.
A maioria dos Cs’s estão abaixo dos mínimos na dotação de Enfermeiros e com áreas funcionais de enfermagem fechadas aos utentes por não haver Enfermeiros suficientes.
E foi isto que entendi denunciar porque vivo essa situação diariamente.
As ARS’s e o próprio MS ao justificar a anulação dos concursos com o argumento do erro na distribuição de vagas quer fazer crer, na minha opinião, que os Enfermeiros não chegam lá, quer embrulhar o chumbo do MF num bonito papel de bombom. Assim, todos ficam contentes a achar que o MS anulou para salvaguardar os Enfermeiros e isso aborrece-me solenemente.
Não gosto que me façam de parva!
C2 says:
March 3, 2010 at 14:43 (UTC 1 )
Aproveito a deixa da colega Ana Rita Cavaco não se importar (se o faz tem que estar preparada para os piores comentários que vão surgindo) de se expôr em Blogs e publicamente aceitar algum confronto de ideias para lhe pôr uma questão:
Tem algum Site, Blog, Plataforma onde possamos interagir consigo, conhecer o seu projecto, a sua Lista (se já constituida), etc…? E uma breve nota biográfica tb ajudava, porque a maior parte de nós não a conhece nem ao seu precurso. E um conselho, a César o que é de César, embora objectivamente Sindicatos e OE devam agir consensualmente, são estruturas separadas e não se devem misturar exessivamente as esferas de acção.
Cumprimentos,
C2
Cogitare em Saúde says:
March 3, 2010 at 14:48 (UTC 1 )
Obrigado pela sua vinda a debate Enfermeira Ana, volte mais vezes. Concordo que o que é preciso é haver debate e esclarecimento de ideias. Informamos C2 e outros leitores que a Enfermeira Ana Cavaco tem página no Facebook .
Quanto ao assunto em questão era bom debatermos o mesmo e não nos centrarmos em ataques pessoais .
Talibã das Beiras says:
March 3, 2010 at 15:40 (UTC 1 )
A colega Ana Cavaco parece ter uma visão mais concreta da realidade, o que penso só nos facilitará a vida (em termos de classe profissional).
A questão do caos que se vai seguramente viver a partir do Verão é real. Já tenho dito.
Fico perplexo e triste quando vejo colegas das USF contentes com a anulação destes concursos, parece que vivem num mundo áparte e não conseguem ver a subcontratação de que todos seremos vítimas.
Talibã das Beiras: Sempre ao mais alto nível.
Ana Rita Cavaco says:
March 3, 2010 at 15:51 (UTC 1 )
C2
Este é o link, está lá todo o meu percurso menos a equipa e o projecto por razões óbvias de distância das eleições.
Alguns membros do grupo estarão na equipa mas é muito cedo para essa discussão. Deixemos que apareçam todos, não tenho a pretensão de ir sozinha a eleições, nem de ter ataques pessoais:-) Aliás temo dado algumas gargalhadas com certas coisas que lemos, é esse o espírito que se impõe. E claro estávamos preparados, até para o que não é verdade.
Quanto ao resto questionem tudo o que entenderem e disponham do que precisarem.
http://www.facebook.com/profile.php?v=feed&story_fbid=336793879102&id=1596858910#!/group.php?gid=317526618304&ref=ts
Ana Rita Cavaco
Ana Rita Cavaco says:
March 3, 2010 at 15:54 (UTC 1 )
Não estou certa que o link esteja a fazer o copy correcto, assim, o Grupo do Facebook chama-se Ana Rita Cavaco Uma Nova Geração na Ordem dos Enfermeiros
Ana Rita Cavaco says:
March 3, 2010 at 16:32 (UTC 1 )
Por me terem colocado esta questão no fórum de enfermagem, coloco aqui a resposta na íntegra.
“Tenho uma opinião diferente no que respeita aos concursos sim, já a assumi aqui, sou a favor da manutenção dos concursos porque podemos no imediato resolver a situação da maioria dos CTC.
Se não o fizermos agora corremos o risco de o MS dizer que afinal, apenas pedimos legislação para a saúde, não sabemos bem o que queremos e que quando foram disponibilizadas algumas vagas não as quisemos.
Acho que uma greve não resolverá o problema. Os Enfermeiros têm de se se convencer que, como qualquer outro grupo, têm o poder para exercer pressão, A Ordem é a melhor aliada e quem está em posição de exercer pressão sobre o Ministério da Saúde e Finanças.
Quando o Governo corta no essencial, a Ordem dos Enfermeiros tem de defender os utentes, definindo claramente o que não pode parar num Centro de Saúde. É urgente que o organismo máximo dos Enfermeiros defenda os utentes pela voz dos Enfermeiros.
A Ordem dos Enfermeiros tem de apoiar os Enfermeiros Chefes dos Centros de Saúde que, por todo o País devem encerrar serviços de enfermagem por falta de profissionais.
Não havendo Enfermeiros é à OE que cabe dizer quais as áreas funcionais que os Enfermeiros não podem abandonar nos CSP. Tudo o resto estaria encerrado com um aviso dizendo: “Encerrado por falta de Enfermeiros” e chancelado pela OE.
A isto deveria juntar-se uma campanha pública, nacional, que identificasse os locais encerrados e quantos Enfermeiros seriam necessários para a reabertura.
Claro que esta campanha teria de chegar a todos os grupos parlamentares pela voz da Bastonária (que também deveria pedir a um ou mais grupos parlamentares que propusesse a sua audição na comissão de saúde da Assembleia da República, com a comunicação social presente)
A Bastonária deveria, ainda, visitar vários locais com áreas funcionais encerradas e levar a comunicação social, durante várias semanas.
Pela minha parte fiz o que me competia, de acordo com o papel que desempenho neste momento (o de candidata), denunciei o que se passa no meu centro de saúde e fico contente por ter servido para a Bastonária da OE se ter pronunciado.
Aqui está o que faria mas ainda não posso fazê-lo pela Bastonária que me merece o maior respeito pelo cargo que ocupa e pelo que fez antes de estar na OE. É que discordar não é desprestigiar, caluniar ou insinuar intenções que não existem, é simplesmente debater para encontrar uma melhor solução.”
Artur says:
March 3, 2010 at 16:54 (UTC 1 )
Já fui ver no facebook . Parabéns pela candidatura mas as eleições só são para 2011 , certo ?
Ana Rita Cavaco says:
March 4, 2010 at 02:21 (UTC 1 )
Sim, só em 2011. Por isso o projecto e a equipa estão resguardados até estarem assumidos todos os candidatos. Obrigada
Anónimo says:
March 4, 2010 at 04:13 (UTC 1 )
Ana rita
quais são as áreas funcionais que os enfermeiros não podem abandonar e quais as que podem encerrar?
Miguel A. says:
March 4, 2010 at 09:11 (UTC 1 )
Saber o que fazer e não fazer para que os cuidados se mantenham com qualidade era imperativo, mas aí a nossa Ordem não quer se pronunciar. Politicas?
Claro que quem toma chá com eles à tarde não pode se pronunciar em assuntos tão melindrosos
Graça Ribeiro says:
March 4, 2010 at 13:07 (UTC 1 )
Venha o diabo e escolha …. entre as duas.
Não há mais ninguém na enfermagem?
Agora já compreendo o fosso em que estamos…..
João Cruz says:
June 25, 2010 at 15:10 (UTC 1 )
Rita, após 16 anos, finalmente consegui saber como estás.
Escreve para joao.cruz@tecnovia.pt.
Beijos.
Cruz (Frei L. Sousa)